capítulos da coisa incorpórea
segunda confirmação
Eis o exemplo: a escolha dos homens primeiros, uma leviana tentação. Qual de nós retém a certeza ao extrair pérolas da impiedosa filosofia? Uma negra virtude das entranhas...
Existem uns seios à mostra ante o nosso deus que há em cada um, e ele não participa da nossa sensação, ou o que venera é tão sublime que impossível é a carne.
Amar é uma cerimônia parecida com a gula ou a vergonha de extrair cinzas das labaredas de um amanhecer.
capítulos da coisa incorpórea
princípio
O amor dá-me um rumor de martírio e esplendor e com essas palavras a carne líquida te deleita sobre um corpo em mim de retalhos.
Espero tocar-te lépida ilusão quando és o sacrifício da planície dentro de nenhum abismo e te adoto barulho de fantasia
ou o quanto vale de amálgama entre o silêncio íntimo de vértebras pois seio em mim infeliz nunca te tenho como água na garganta.
...
És meu pesadelo fruto de um paraíso desencantado ou assim seria a morte roubando açúcares de asas em liberdade.
Para te amar soprei um hálito de pinho e restaurei o segredo dos dedos ao te tocar a carne (se o silêncio é
uma carne de nada). A morte me distraiu com palavras de nenhuma vida - sílabas ofídicas como cristais do inferno.
primeira confirmação
Há horas de nascer nesse tempo parido de veneno ensopando novos destinos... Dizes: a vida é sempre eterna a meu deus sem passaporte, ao tímido que nunca vês.
E ele te responde só vida não é a eternidade e te espanca com a renúncia de ser descoberto. A hora te traspassa. Piolhos de máquinas obsoletas. Tu te manifestas...
A cara de soluço de um anjo tingido pelo hábito das palavras. Ainda não és quem pode morrer. E resistes na tarde.
Te escondes dentro de nosso deus. Uma fúria sagrada arte em Teu ventre. Almas violadas somos o esboço da mentira divina.
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